amor

Habitat

Erin Elizabeth
Erin Elizabeth

Toda vez que te encontro sinto como se eu tivesse passado pela primeira vez pelo caminho que me leva para uma nova morada. Eu já sei o endereço – pois é minha residência. Nome de rua, número e CEP, na ponta da língua. Mas é caminho novo, recente, então sigo observando as referência de cada esquina. Atenta. Mapeando o caminho da minha nova casa. Até chegar à porta de entrada. Tenho a chave que abre. Tenho a permissão para adentrar – afinal, a casa é minha. Mas tremo. Porque é um espaço novo. Ao qual estou me habituando. No qual estou aprendendo a viver. E, em êxtase, empurro a chave no trinco. Giro e cada destravada é um prazer que não sei dar nome. Adentrar a nova morada e saber que é espaço meu me faz arfar em calmaria. O conforto de estar em casa faz valer a pena cada atenção desprendida ao longo do caminho. Por isso, casa nova, abraço antigo, pessoa que serve de morada, sempre é um encontro único, de residência e residente. Ter a chave é vencer o frio na barriga por viver um amor que me habita. Que é habitat. Que me faz habitante.

amor · carnaval · romance · tristeza

Amor de carnaval

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Vânia Mignone

Pintei meu rosto com as cores do teu gosto. Sinalizei meu olhar com purpurina para te encantar. Sai com a alegria mais sincera que eu possuía. De bloco em bloco, cantando tuas músicas preferidas. Registrei todo meu percurso, joguei no mundo virtual, só a espera de te encontrar no real. Mas o samba acabou, o pagode passou, o axé deixou de retumbar. Nem todo álcool sustentou meu arfar. As dores no corpo – já não tão novo como nos primeiros carnavais – se espalharam até o calcanhar. Mas a pior dor foi por aqui não te encontrar. Nem contigo dançar. Ou na tua boca mergulhar. E esse foi o primeiro carnaval sem ti. O que devo fazer? Esperar até o próximo fevereiro para te ver? Não dá para saber. Mas penso que sim. Já que é de carnaval em carnaval que esse amor se faz. Sigo te amando. Enquanto durarem as cores na avenida. Enquanto no meu rosto brilharem as purpurinas.

Sinto que vou esperar. Já que amor de carnaval tem disso de ser alegre e esperançoso. Ainda que o resto do ano seja incerto e desastroso. Sigo o passo, o ritmo, até te rever.

amor · poesia · romance

Toda poesia em ti

ana laura torquato
Ana Laura Torquato

Toda poesia cabe no teu olhar. A depender do dia, da hora ou breve instante. Já li poesia concreta enquanto está concentrada no teu trabalho e em busca de solução dentro da vastidão da tua mente pensante. Já li poesia simbolista enquanto ora aos teus deuses por dias melhores. Leio quase sempre poesias parnasianas enquanto se olha no espelho, se pinta ou retoca as cores que gosta de ter no rosto, não pelos outros, mas porque acredita na “arte pela arte”. Também leio muitas poesias sociais e marginais em todas as vezes que ajuda quem precisa, que levanta críticas políticas, que convida e encanta pessoas a agir em prol do bem de todos. Porém, das poesias que leio no teu olhar, o par que mais gosto é formado pelas poesias romântica e as eróticas… Ah, como sou grato por ser leitor exclusivo desses versos que só teu olhar consegue compor e fazer transitar tão rápido de um para outro. Leio todas essas poesias em ti e não me canso. Só me inspiro. Só me faz querer ler mais e mais. Cada verso que cabe no teu olhar.