aprendizado · depressão · sofrimento · tristeza · vida

Baseado em dores reais

nataliefoss
Natalie Foss

Chora-se, mas é preciso descongestionar as narinas para respirar, pois a vida segue e respirar pela boca é incômodo. Como é perceptível: o corpo ensina. É preciso aprender com a força e o fluxo de vida que pulsa, independente dos dramas, frustrações, sonhos impossíveis que cultivamos na mente. Há sempre um impulso de realidade vibrando nossa existência no sentido de superar cada choro, cada dor. Toda lágrima seca. Todo choro cansa. A vida continua. E constatar isso, após tanto lamento e confusão mental, é tão prazeroso quanto o respirar livre e calmo após o choro recém vivido. Experimente só a calma pós-pranto… Haverá de confirmar! E uma ficha – dessas que demoram a cair, mas sempre caem em algum instante – é que: baseado em dores reais, isso é viver.

depressão · realidade · sofrimento · solidão · tristeza · vida

Sem propósito

eddy
 Eddy Stevens

Bateu um desespero forte no fundo do peito sozinho. Sentiu as lágrimas quentes queimarem a pele suja de dias sem cuidado. Lamentou sua fraqueza. Desfez-se em choro. Incompreendida de si, não tinha razão determinada para aquele sofrer. Chorava por nada que era. Nada que vivia. Apenas a incerteza das manhãs e a certeza noturna de dormir para acordar noutro dia cheio de incertezas. Vazia de propósitos, lentamente vivia. Uma vida que não reconhecia sua. Imersa num dia a dia tão sem rumo. E o pior era não saber para qual rumo correr para ser mais feliz. Talvez fosse essa falta de compreensão sobre si mesma que a fazia desesperar-se todo dia. Era só mais uma humana vivendo sem sentido. Haveria alguma dor maior do que essa de viver sem propósito? Não sabia. E quanto mais afundava no próprio choro, mais profundo era seu sufoco. Talvez seja isso que chamam depressão. Uma pressão mental exercida sobre a própria mente. Comprimindo tudo o que era numa vazio que achava viver. Num nada que achava ser. E todas essas reflexões são versos que escapam pela mente de quem chora sua própria depressão. Lágrimas que escorrem agora. Mundo afora.

defeitos · depressão · rotina · sociedade · sofrimento

Condenação

scott
Before the after – Scott Hutchison

Era mais uma condenada a viver surtos de infelicidade. Isso porque não fazia o que amava. Não sabia nem o que seria isso que a faria amar sua rotina. Mas aceitou um caminho que parecia muito conveniente para os outros, porém tão desestimulante para ela. Na falta do que a estimular, construiu sua rotina sobre essas bases convencionais. E por isso era mais uma dessas pessoas condenadas a lamentar o dia a dia, a lastimar o amanhecer de cada nova semana, a reclamar das horas que não passam até o final do expediente e a sentir-se aliviada por chegar viva em casa no final do dia, porém, tão suficientemente amarga, que contagiaria com tal gosto a vida dos que a rodeava. E enquanto ela não movesse seus intentos na busca do que seria sua razão de viver, pagaria essa pena. Uma pena que não era exclusividade dela. Pelo contrário, ela era só mais uma naquele presídio de condenados à infelicidade profissional

defeitos · depressão · sociedade

Uma conversa de si para si

conversa
Who am I? – Lynn Yoder

Encarou a imagem daquela mulher no espelho. Pensou em todas as vezes em que só restava ela mesma na frente de um espelho repetindo para si suas próprias qualidades. Quando ninguém mais enxergava o bom que havia nela e apenas apontavam seus defeitos e a criticavam por cada passo que dava. E se nesse momento ela tivesse desistido de repetir o que há de bom em si para si? Se passasse a pensar somente nas críticas que os outros faziam? Passaria ela a não ser mais aquela pessoa boa que era? Tornaria-se a pior pessoa que os outros tanto diziam ser? Respirou fundo, olhando profundamente nos olhos daquela imagem e falou em alto e bom tom: não! A resposta é não! Não importa o quanto os outros falem mal de você. Não importa o quanto você mesma acredite nesses males. E o quão profunda esteja sua depressão por não acreditar em si mesma. Nunca a pessoa boa e cheia de qualidades que há aí dentro irá deixar de existir. Falta só você olhar para esse lado, voltar-se para si. Buscar o melhor de si. Para si.