preconceito · realidade · sociedade

Subversão

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Matheus Ribs

Desde muito novo, observava o caos vivido naquela sua comunidade. Percebia o confronto diário do seus semelhantes com aquela realidade opressora. Notava a grande diferença entre os seus mais próximos e aqueles poderosos: a cor. Viu mãe sofrer abuso de gente de cor diferente. Viu pai ser demitido por gente de cor diferente. Viu amigos se revoltarem contra aquele sistema. Viu muitos se subverterem com armas às mãos. E viu muitos desses perderem a vida. Diante de tanta coisa vista, ele percebeu que, apesar de toda revolta, o sistema permanecia o mesmo: esmagava sua gente e excluía sua cor. Então, ele também se subverteu. Mas escolheu outras armas: livros, conhecimento, saber. Essas eram as grandes armas que as pessoas de cor diferente usavam para manter o sistema. Nada mais lógico do que reverter tamanha opressão através da sua própria educação.
Mas como toda arma poderosa, o ensino nunca lhe foi ofertado com qualidade nem facilidade. Porém, sabia que toda subversão exigia força e luta. Lutou. Por anos, o estudo foi sua maior tática de guerrilha. Sabia, ali dentro de si, que poderia ser líder de uma revolução. De fato, revolucionou, após alcançar um cargo com poder de decisão. Diariamente, a cada sentença ditada sem julgar pela cor, uma pequena revolução se fazia com sua assinatura. E cada rubrica fazia em memória das vidas de cor que foram perdidas e por aquelas que ainda viviam naquele caos. Um caos que estava longe de ser resolvido, mas contra o qual nunca deixaria de lutar.

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