história · sociedade

Criador

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André Pessoa

Pela primeira vez, sentiu o peso da responsabilidade pelo o que escrevia. As crianças choravam assustadas. O assombro também passava pelos olhos dos adultos, dos mais fortes aos mais fracos. A comunidade o encarava perplexa. Seus relatos escritos em linguagem desenhada apontavam pra existência de um “espírito guardião” da região que acabam de invadir. Por isso aquelas tempestades intermináveis. Ou todos confiavam nele, escritor, ou não haveria como negociar permanência pacífica. Ele escreveu aquela história da sua própria imaginação. Não contava com a crença dos que viviam com ele. Acabou eleito líder espiritual, porque era o único que dominava tão bem a arte de escrita e narração. Na verdade, sua maior capacidade era a da criação. Capaz de negociar o fim das tempestades, ele não era. Compreendeu que escrever e falar o que não existe é dar vida através de palavras. E vida é algo mais poderoso do que imaginava. Principalmente quando se é dada a algo que não morre. Por isso, o peso da responsabilidade que criou para si. Mas junto com maiores responsabilidades, sempre vem muito poder. E logo esse arcaico escritor perceberia o tamanho desse poder criado e encararia sua nova função com gosto. Tal gosto que seria passado por gerações e mais gerações de líderes. Criativos seres poderosos.

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