amor · paixão · romance

Cegos de amor

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Oswaldo Goeldi

Ele a deixava cega. Não era por mal. Todos os seus breves encontros cotidianos eram tão agradáveis que o sorriso da moça se espalhava largo e farto pelo rosto formoso, comprimindo os pequenos olhos em dois fios por onde a luz do olhar ainda refletia. No início, era essa a causa da cegueira que ele provocava. Com ela, os comentários engraçados e leves saíam mais fáceis e sinceros. Era um encontro de almas leves, regados a risos e conforto pela presença do outro. E tal interação foi evoluindo, até que descobriu como causar outro tipo de cegueira nela: beijando-a. A moça fechava os olhos tão fortemente ao se deixar beijar. Ele não fazia o mesmo sempre: gostava de fitar o rosto dela colado ao seu durante o beijo. Considerava essa a melhor forma de aproveitar aqueles momentos tímidos. Momentos esses em que desejava que ela acabasse cega de amor por ele. Pois, cego assim, ele já estava por ela. Desde o primeiro simples riso que ela esboçou. Desde o primeiro riso que nele ela provocou. Risos de dois cegos de amor.

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