cotidiano · realidade · rotina · sociedade

A cidade que não para

crespo
Silêncio na multidão – André Crespo

A cidade que não para, em uma de suas ações, recebeu aquele andarilho de braços abertos, abraçou-o forte, deu-lhe boas vindas e o soltou de imediato. Disse, meio apressada, que ele se virasse. Que ele se cuidasse. Pois ela não cuidaria dele. Eram muitos por ali. Eram tantas coisas por acontecer. E ela, a cidade, não podia parar por ele. Ela, afinal, nunca pararia. Por ninguém. E naquela correria, pela primeira vez depois de tanta andança, ele sentiu-se acolhido. Por mais irracional que parecesse, foi naquele mar de gente que tenta se virar e se cuidar sozinha, que ele se sentiu bem recebido. Ele era mais um naquele todo. Naquela cidade que acolhia qualquer andarilho e indivíduo, que pudesse se virar e se cuidar sozinho. Por isso, o andarilho ali resolveu parar. Pois por mais parado que ele ali estivesse, ele sempre estaria em movimento. Afinal, ele viveria dali por diante na cidade que nunca para.

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