sofrimento · tristeza · vida

O paciente

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Hartley – Alice Neel
“Minha vida está uma merda. Sei que tudo é uma tempestade feita em copo d’água. Isso só piora ainda mais o sentimento que guardo sobre mim. Odeio minha fraqueza. Não tenho forças para procurar fazer aquilo que realmente gosto. E naquilo que faço, coloco pouco esforço. Das coisas boas que tenho, sou muito desmerecedor. Nada consegui por trabalho próprio. Em nada vejo meus esmeros. Sinto-me um completo nada. Algo que vive uma vida medíocre e espera o dia do fim”.
Depois desse desabafo, o psicanalista olhou profundamente no rosto transtornado daquele homem. Viu nele mais um paciente. Paciente da vida, não só paciente de consulta médica. Paciente não de paciência, mas de estar passivo. Era mais uma pessoa inteiramente passiva diante da vida. E que não acredita no potencial ativo que tem. Mais um paciente do tempo. Das circunstâncias em que acabou se inserindo. Mais um no universo de pessoas pacientes. Que não mudavam o que era. Que viviam aquilo que não queriam. O seu trabalho era tentar motivar essas pessoas a deixarem de ser pacientes. E eis um longo trabalho, por isso deixou seus devaneios de lado. Pôs-se a trabalhar.
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