família · liberdade · maternidade

Enlaçados

The crack up – Charles Blackman

Alguns laços nunca desatam. Ela compreendeu isso depois de deixar o filho na porta da casa do pai. O homem olhou-a nos olhos e demorou-se. Ela também demorou ali naquele olhar. E naquela fração de segundos, toda a história deles passou como um clarão de um raio na memória. Mas depois da luz, veio o estrondo forte do término. Das brigas, desentendimentos, descompassos. Não conseguiram mais seguir seus planos juntos. Divorciaram-se. Porém alguns laços nunca desatam. E o filho era aquele nó. Não adiantava ela ou ele tentar puxar o filho só para si. O nó apertaria mais e nó apertado dói. Cada um deles teria que viver com o outro, mesmo separados, mas mantendo aquele laço firme, sem deixar desatar, tampouco arrebentar. Somente com o passar dos anos, depois que mãe e pai fizessem cada um seu papel, é que esse nó aos poucos irá afrouxar. Não se partir por completo, apenas desapertar. E, assim, deixar cada um seguir – enlaçados, porém livres.

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