amor · beleza · casamento · morte

Olhar de elogios

Freay’s tears – Gustav Klimt
O marido nunca foi homem de elogiar. Mesmo assim ela aceitou viver ao lado dele. É que havia algo mais poderoso que o elogio: o olhar dele. Todas as vezes que ela se arrumava bem, o marido a olhava de uma maneira única, um olhar cheio de paixão e admiração. Era esse olhar que a enchia de graça e que a fazia tão bem. Porém, a velhice veio e o marido acabou cego. E a mulher teve que aprender a viver sem aqueles olhares apaixonados. Permaneceu ao lado dele, por consideração a todos os anos de amor. Mas perdeu a graça de antes. Até o dia em que, nos braços da morte, o marido cego a encarou no vazio e falou: “Você é a mulher mais linda que já conheci. Nunca deixou de ser. E certamente agora você deve estar encantadora. Obrigado por me permitir viver ao seu lado”. Quem ali estivesse ou por ela passasse, veria uma viúva cheia de graça, como nunca se imaginou ser possível ver.
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