amor · paixão · vida

Café e suspiros

Coffee cup heart reflection – Nina Robinson
Primeiro, me apaixonei pelo aroma do café que ela fazia todas as manhãs. Era um cheiro que adentrava meu apartamento com a mesma intensidade que sua imagem adentrava minha alma todas as vezes que eu a via. Era linda. Morena da cor de café. Um jeito fluido e decidido de ser. Um dia, não resisti. Bati na porta do apartamento vizinho, onde ela morava. Fui com toda cara de pau que tinha, me ofereci para tomar o café. Ela não hesitou – que mulher! – e deixou-me entrar. Enquanto ela servia uma farta xícara de café, eu ofereci suspiros – os doces, claro, para iniciar. Experimentei o café… Amargo! Tão amargo quanto a história de vida que aquela negra começou a me contar. Enquanto eu só tinha a contar uma doce história de vida. E você pensa que eu achei ruim? Não achei, só me encantei. Cada vez que o amargor se tornava insuportável, eu jogava para dentro da boca um suspiro e o açúcar era como tomar um fôlego. E senti que os suspiros eram o mesmo para ela. Acredito que era bem isso que ela precisava. E eu também. Um equilíbrio que jamais imaginaríamos viver. Entre o amargo e o doce, um café e um suspiro, uma paixão.
 
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