amor · infância · maternidade · tristeza

Sem mãos dadas

Preludio para una nueva era – Denis Nuñez Rodriguez
Ela dispensou a mão que a mãe, carinhosamente, ofereceu. Atravessaram, sem mãos dadas, a rua. Aquele ato fez a mãe desabar dentro de si. Nos últimos dias, a menina, que nem doze anos tinha ainda, já se negava a dormir com a mãe, a pedir ajuda no banho, a convidá-la para passear e agora nem andar de mãos dadas queria mais. Não demoraria muito para que a filha largasse os brinquedos, escolhesse as próprias roupas e saísse sem dar motivos… Já que nem ajuda precisava para atravessar uma rua. Esse pensamento fez a visão da mãe, sem querer, embaçar, cheia de lágrimas. Ela não sabia prever qual seria a próxima oportunidade que teria para andar de mãos dadas com sua pequenina garota. Talvez na sua velhice, quando fosse ela quem não pudesse caminhar sozinha. E, além disso, quando a filha voltasse a se importar com aquele simples ato de dar as mãos.
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3 comentários em “Sem mãos dadas

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