· morte · vida

Oração esperançosa

Aunt Dale in contemplation – David Jon Kassan
Subiu as escadas e se recolheu em um canto onde ninguém costumava ir. Entrelaçou os dedos das mãos, com força. Permaneceu de olhos abertos, para se certificar que ninguém se aproximava. Começou a sussurrar uma oração – ou ao menos era o que pensava ser aqueles versos que aprendera quando ainda nem sabia o que era a vida. Mas agora que sabia o que era a vida e sentia tão perto o perigo da morte, queria acreditar que aquela oração surtiria efeitos. Há muito que a tradição de fé havia se tornado minoritária. Os jovens eram crentes da ciência. Assim ela também o era… Até que recebeu a notícia de que a ciência não a salvaria. Então resolveu orar, porque as soluções dos mais novos, por mais racionais que fossem, não estava levando a lugar algum. Quem sabe a solução dos antigos resolvesse seu problema? Entre um mundo de fé e um mundo de ciência, ela ainda pertencia ao mundo dos esperançosos. Para ela, não importavam os meios. O importante era o fim: não deixar sua vida chegar ao fim.
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