amor · carta · escrever · paixão

Carta ao carteiro

Still life with ink bottle book and letter – William Michael Harnett
   Sr. Responsável pelos Correios dessa cidade,
Eu não o conheço, por isso não me dirijo ao senhor pelo nome. Mas suspeito que talvez me conheça. Sou eu o homem que manda todo santo dia uma carta endereçada a uma senhora que vive na capital do país. Não há um dia sequer que eu não tenha escrito uma carta a ela. Mas minhas respostas nunca – digo, nunca! – chegaram até mim. Não entendo a razão de não haver cartas de resposta. Tenho profunda certeza de que essa senhora me ama o suficiente para escrever – quiçá, todo santo dia! – cartas para mim. Então, cheguei à conclusão de que o senhor ou os seus subordinados carteiros estejam conspirando contra esse velho homem apaixonado. Talvez tenham inveja de ainda existir um amor verdadeiro via correios. Talvez sejam homens muito mal amados ou sejam desses que vivem se correspondendo por esses meios virtuais tão fugazes… Mas não me importa quais são seus problemas, senhores! Apenas exijo que prestem seu serviço direito! Entreguem-me minhas correspondências!  Porque o meu  amor é recíproco e isso é inquestionável!

Atenciosamente, Platão.

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