cotidiano · sociedade

Traumas

Male Nude Model – Henri Matisse
Ele passou a ter sérios problemas para ficar sozinho na sua própria casa depois daquele dia. Aquele traumático dia. Não, ele não podia revisar aquele dia mentalmente, pois seria capaz de invocar o caos universal dentro de si mesmo. A questão é que – para uma pessoa que adorava ficar sozinha – aquele seu complexo de repulsa à solidão estava o tirando do estado espiritual normal. Queria superar seu trauma. Voltar a sentir prazer na solidão… E conseguiu isso à medida que ia tentando fugir desta, buscando companhia de outros e descobrindo, com isso, a amargura das amizades superficiais, a falsidade dos parentes cansativos, a obsessão dos muitos templos religiosos, o vazio das ruas e festas urbanas. Esses dias, em que não esteve sozinho, o encheram de traumas. Eram verdades nuas e cruas. E, então, recordou do aconchego de sua própria casa. Dos dias em que fora feliz consigo mesmo, na companhia de um livro, um café, uma cama ou um filme. Redobrou suas forças e encarou as paredes vazias da sua residência. Voltou a frequentar a sua própria solidão. Fugindo dos traumas da sociedade, curou seu próprio trauma.
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