morte · vida

Ocaso da superioridade

 

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Man’s head – Lucian Freud
Um tanto de defeitos e uma pitada de qualidades: fez-se ser humano. Cheio de ossos, carne aqui e ali, pintava no rosto a imagem da superioridade. A Terra não cabia em suas mãos, mas na mente ele a dominava. Isso o consagrava. Era a espécie que subordinava as demais: tinha no código genético a garantia disso.
Até que um dia se viu prostrado em um hospital. Motivo: picada do mosquito Aedis egypt. Tornou-se dengoso. Quase morto. As tecnologias e tratamentos humanos não surtiam cura. Lembrou o grande Darwin: nem o mais forte, nem o mais inteligente, o real superior era quem se adaptava efetivamente às mudanças. E quantas reviravoltas a vida dá, não? O humano teve que se mudar de mundo. Não mais vivia. No atestado de óbito, o mosquito vencera o humano.
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