vida

Hino de um quase cientista

 

The cage – Berthe Morisot
Sonhou um dia ser cientista. Como sonhador, realizou a sua primeira experiência ainda pequenino: aprisionou um passarinho numa gaiola por meses a fio. Observou e anotou todas as reações do animal. Percebeu que o cantar foi ficando menos melódico. Mais improvisado. Quase gritado. Decorrido o tempo certo, soltou o passarinho. Um cantar ininterrupto soou no ar e, mesmo não tendo o animal à vista, notou que ele estava pelas redondezas, pois nunca tão alto ouviu aquela cantoria. A primeira conclusão científica da sua vida foi intitulada de ‘liberdade’: uma cantiga alta, que soa como um hino à vida, quando se livra das grades impostas pelo mundo. Daquele momento em diante, mesmo não se tornando um cientista de fato, regeu todas as experiências de sua vida com base naquele conceito. Qualquer problema já tinha sua hipótese implícita: “se livre fosse, não existia esse problema”. Como passarinhos, deixava os problemas voarem. Livres.
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