maternidade · morte

Súplicas em vão

Rosa artificial – Alejandro Boim
“Canta baixinho, mãe, aqui perto de mim. Canta aquela canção de ninar, eu queria tanto dormir… Queria desligar os pensamentos por um momento. Oh mãe, eu sei, não fiz todas as minhas tarefas de casa, meus deveres, minhas responsabilidades, minhas dívidas. Está bem, mãe, não sou mais uma criança, mas me perdoa, eu só queria um instante feliz nos seus braços… Mãe? Não some, mãe! Fica comigo… Ou me leva com você. Só com você”.
O lamento se ouvia de longe. A moça não aceitava a morte da mãe. Comentavam que ela não gostava da mãe enquanto viva; que tampouco se despediu dela. Arrependida, definhava em cima do túmulo, em posição fetal, conversando as conversas que nunca teve com sua mãe.
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