pai · tristeza · velhice

Paternidade velha

 

Washington prays for America – Rubber Durk
 
“Papai, minha professora me deu meio ponto por uma resposta bem respondida hoje…”. Sentado na escadaria da praça, ouviu a lembrança de mais um início de conversa morrendo. Recordou o garotinho, com a voz fininha, tentando todos os dias chamar atenção daquele homem majestoso, ocupado com os artigos do jornal. Também ouviu os decretos de pena de morte das conversas dados através de algum “hum” e “aham”.
Aquelas iniciativas do filho diminuíram, enfraqueciam-se diante da frieza paternal. As novidades tornaram-se segredos. A juventude os afastou. O pai, ficando velho, largou os jornais devido à dificuldade na visão para a leitura e, aposentado, passou mais tempo dentro de casa. Percebeu que não havia ninguém para conversar com ele. O tempo fez crescer o garotinho e o arrancou da casa daquele velho. Não mais teria aquela voz fininha e nem teve longos registros da voz grave que o tempo transformou… O pai velho nunca teve o prazer de ser chamado de velho pai.
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