maternidade · morte · pai

Teias de aranha

 

Little Acrobat – Kirsten Bailey
 
“Encontrei hoje dentro da sua xícara de café uma teia de aranha. Perguntei-me  qual aranha ousou invadir seu santuário para construir um ninho. Não obtive respostas… Assim como também não ouço mais suas indagações infantis de como a vida se realiza. Saudades de suas indagações. Saudades suas me consomem. Mas não se preocupe, não deixei a saudade me abalar, tratei de lavar sua xícara e recolocá-la na mesa. Um dia, tenho certeza disso, você irá retornar dessa sua fuga e eu, como uma verdadeira mãe que sou, irei recebê-lo com um café quentinho em mãos. Falando em café, tenho que tirar o papeiro do fogo…”
De longe, o marido ouvia o monólogo da esposa de frente ao retrato do filho. Este saíra de casa jurando nunca mais voltar. E nunca mais voltaria mesmo… Há quase um ano, descobriram o corpo do adolescente morto por envenenamento. Veneno de aranha.
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