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As graças do povo

The arena at Arles – Vincent van Gogh
Sua tristeza caiu nas graças do povo. Percorria as ruas, tentando ser a mais transparente das pessoas, mas a cada esquina havia alguém apontando em sua direção e deixando alguma risada escapar. Sua vida social fora abatida como um palhaço de circo sendo vaiado e enterrado debaixo de tomates lançados pela plateia. Um dia, porém, resolveu mudar sua situação. A graça do povo caiu nas suas próprias risadas. Em praça pública, encarou cada rosto que a encarava. Riu de cada riso mal estampado. Permaneceu de nariz empinado, pronta para rir de quem tentasse a rebaixar. E percebeu que, sem entender o porquê de ser agora motivo das graças particulares dela, o povo parou de encará-la; o povo passou a se sentir ridículo por ser a razão de piada alheia. O riso dela deu a volta por cima. Rindo, concertou sua vida.
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