amor · tristeza

Contrato

 

Day dream – Andrew Wyeth
 
A noite de núpcias foi fria. Nem o calor do corpo da donzela esquentou-o. Casamento por conveniência já começava assim, passivo e triste. Forçado. Entristecia a cada expiração só em pensar que não era um contrato de tempo determinado, muito pelo contrário, a intenção era para ser por toda a vida. E que vida viveria dali por diante? A vida de um marido frio, com lembranças da amante esquecida, de amores pausados por uma assinatura entre famílias. O seu pai estava com o peito cheio de honra pelo contrato com uma das melhores famílias da província, mas ele, o filho, estava com o peito cheio de angústia por ter que largar a paixão com a cabocla da fazenda para ficar com a loirinha da vila. Pois bem, o que haveria ele de fazer? Permaneceria pelas manhãs a observar o corpo pálido da então sua esposa, adormecido sob o mosquiteiro. Observaria com pesar, uma vez que aquela imagem seria mais bela se o mosqueteiro tentasse, em vão, esconder uma certa pele dourada que ele tanto sentia falta.
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