amor · maternidade · morte · vida

Auroras

Aurora na vila do conde – Augusto Amaral
Aurora nascia. A menina Aurora também. Sua mãe, a Rainha Aurora, sofria sem prender o grito. Suava nos lençóis de linho egípcio e gritava para todos do castelo ouvir. Estava sofrendo para pôr Aurora no mundo. A criança levaria seu nome, porque sua mãe morreria de tanto esforço e sangue perdido para o seu nascimento. Foram horas noturnas inteiras de esmero no parto, mas foi nos minutos breves da aurora do novo dia que a menina vinha à vida e levava sua mãe à morte. O Rei – velho, gordo e ausente ao sofrimento da sua esposa – não era o pai biológico da criança, pois sua apatia era tanta que não era capaz de fertilizar uma Aurora. Esta ao menos morria por uma criança fruto de um amor verdadeiro… Pelo jardineiro do castelo. Fertilizaram-se de amor.

O jardineiro observava a aurora nascendo e sentia dor pelo pressentimento da morte de sua Aurora, quando ouviu um choro que arrebentou o silêncio do novo dia. Aurora morrera.

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