maternidade

Amado réu

Lumia Czchvska – Amadeo Modigliani
A senhora vestida de preto levantou da cadeira e se deixou a mostra diante de todos. Não gostava daquele tipo de situação, mas era preciso. Iria defender sua vida. Iria, em frente ao tribunal, expor seus sentimentos, argumentos e anseios para viver conforme toda mãe queria viver. Seu filho estava sendo tirado dela. Não sabia ela que, realmente, o filho era culpado. Mas o que importava aquilo? Era o seu filho, amor pela qual viveu amando. Não sobreviveria sem ter notícias dele. Não era aquilo que imaginou para o seu amor.
“Quero dizer, antes de tudo, que sou mãe. O meu filho é razão e essência de toda uma existência, sabendo ele ou não, errado ou não… Ele é meu filho.”. Colocou as cartas na mesa. Disse tudo e até um pouco mais. Faria tudo, mas não queria ver seu filho longe, sozinho e sem seu amor.
Mas, apesar de todo o seu esmero, seu filho foi condenado. Assistiu, estática, sentada, sem poder fazer nada, seu filho sendo levado dela. Não o veria tão cedo. Doeu no fundo do peito ver aquilo. Mas o olhar do seu filho não era triste. Era alegre, pois sabia que a mãe ainda o amava. Fora condenado e amado. Viveria preso, mas sabendo que alguém o amava de verdade.
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