maternidade

Vida contada

La mer à Pourville – Claude Monet
Estreitava os olhos para impedir o vento arenoso da praia de invadir sua visão. Observava seu filho levar até as ondas a estrela-do-mar que ambos acabaram de encontrar na margem. Observava ali, um fruto de seu ventre, pequeno, mas com todas as características que sonhara. Via-o, longe, mas dava para sentir o cheiro de sua pele. Nada explicável, coisa da alma. A sensibilidade materna a levara até ali, firme. Viveria cada momento como o último até… Ele ir-se. Não fora concebido perfeitamente, como toda boa mãe sonha: seu filho, agora sorrindo e acenando de longe, do mar, iria morrer antes de alcançar metade de uma simples década. A ciência de seu século não sabia como salvá-lo. Não havia nada a ser feito, além de aceitar…
Sentiu uma mãozinha pequena tocar seu braço. Despertou para o presente. Largou o futuro, os problemas do futuro. Tirou o foco de sua visão do horizonte azul e olhou o rostinho de seu filho, agora próximo. Tinha muitas coisas para mostrar ao seu pequeno fruto. Principalmente o tamanho do amor que ela, sua mãe, sentia por ele. E isso bastava… Por toda uma vida.
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2 comentários em “Vida contada

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